Minas ultrapassa o Rio na produção industrial nacional, diz estudo da CNI

Por Mara Bianchetti

Mineração e construção civil impulsionaram a participação de MG | Crédito: Divulgação/Gerdau

Mineração e construção civil alavancaram a participação de Minas Gerais na indústria brasileira na última década e prometem manter o Estado entre os principais produtores nacionais nos próximos exercícios. De acordo com o estudo “Nota Econômica Nº19”, realizado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), comparando os biênios 2007-2008 e 2017-2018, Minas ultrapassou o Rio de Janeiro e assumiu o segundo lugar entre os maiores produtores industriais do País.

De acordo com o levantamento, na região Sudeste, Minas Gerais foi o único estado que ampliou a participação na produção industrial nacional total, com aumento de 0,4 ponto percentual na comparação entre os biênios. Na outra ponta, os estados do Rio de Janeiro e de São Paulo foram os que obtiveram as maiores quedas entre os 26 estados e o Distrito Federal – cerca de 4,4 pontos percentuais e 2,9 pontos percentuais, respectivamente.

Com o resultado, Minas Gerais assumiu a segunda posição no ranking de maiores produtores industriais do Brasil, ficando atrás apenas de São Paulo. O consultor de Estudos Econômicos da Gerência de Economia e Finanças Empresariais da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), João Gabriel Pio, ressaltou que essa performance foi puxada, principalmente, pelo ganho de participação das indústrias extrativa e da construção, que avançaram 16,6 pontos percentuais e 1,3 ponto percentual, respectivamente, na comparação entre os biênios 2007-2008 e 2017-2018.

“Minas Gerais foi o único estado que conseguiu ter ganho, puxado pela indústria extrativa, sobretudo pelo aumento da produção e do preço do minério de ferro no mercado internacional. A construção civil também teve um ótimo desempenho, possivelmente associado à indústria extrativa e os investimentos em infraestrutura atraídos pelo Estado nos últimos anos”, avaliou.

Transformação – Em contrapartida, porém, Minas Gerais perdeu participação na indústria de transformação, com recuo de 0,5 ponto percentual. O Estado perdeu participação de 6,2 pontos percentuais na produção nacional de veículos automotores, entre os biênios 2007-2008 e 2017-2018. Minas também obteve queda na importância dos serviços industriais de utilidade pública (Siup) com recuo de 8,2 pontos percentuais da participação na produção nacional, no período analisado.

Esse movimento, conforme Pio, vai ao encontro do processo de interiorização que se observou em todo o País no decorrer da última década. “Minas Gerais faz parte da grande força industrial brasileira, alocada principalmente na região Sudeste. Mas a indústria de transformação vem perdendo força no Estado e muitas indústrias estão migrando para outras regiões. Um exemplo diz respeito à produção de veículos automotores. Nos últimos anos, o Estado perdeu investimentos vultosos para estados como Bahia e Pernambuco”, exemplificou.

Descentralização da indústria brasileira

Neste sentido, o estudo da CNI mostrou que, em uma década, ocorreu uma importante desconcentração da indústria brasileira, com redução da participação da região Sudeste no Produto Interno Bruto (PIB) industrial e aumento da participação das demais regiões geográficas: Sul, Centro-Oeste, Nordeste e Norte.

Pará, Rio Grande do Sul, Paraná, Pernambuco e Mato Grosso do Sul foram os cinco estados que ganharam mais espaço na produção industrial nacional total, na comparação entre os biênios 2007-2008 e 2017-2018. Além disso, a Bahia se destacou por ter sido o estado que mais ganhou participação na produção da indústria de transformação no período.

“São Paulo é o maior polo industrial e concentra mais de 30% da produção industrial brasileira. Porém, em um movimento de competitividade, as empresas estão migrando para outros estados e outras regiões. O maior interesse pelo interior tem ocorrido tanto pela maior oferta de infraestrutura e serviços quanto pela disponibilidade de mão de obra qualificada e de menor custo”, justificou.

Apesar do movimento de descentralização da indústria, vale dizer que cerca de 56,5% da atividade industrial brasileira permanece concentrada no Sudeste do Brasil, sendo que Minas Gerais detém 10,2% da produção total.

Leia mais: Diário do Comércio|Economia| 19/05/2021

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