Mosaic já trabalha em novo programa de redução de custo

Meta da empresa é gerar, até o próximo ano, US$ 200 milhões em ganhos de eficiência operacional

A presidente Corrine Ricard: participação de funcionários contribuiu para o sucesso da primeira etapa do programa — Foto: Claudio Belli/Valor

Após criar um bem-sucedido programa de redução de custos e ganhos de eficiência operacional, a Mosaic Fertilizantes – subsidiária para Brasil e Paraguai da maior empresa de fosfatados do mundo, a The Mosaic Company – lançou no ano passado a segunda fase desses esforços. A meta é gerar US$ 200 milhões em economias até 2022 – mas, como a empresa conseguiu US$ 115 milhões até aqui, a perspectiva é que esse objetivo seja até superado, afirma a presidente Corrine Ricard.

Em 2020, a Mosaic Company teve lucro líquido de US$ 666,1 milhões – ela havia fechado o ano anterior com prejuízo de US$ 1,07 bilhão. A receita líquida, por sua vez, caiu 2,5% na mesma base de comparação, para US$ 8,7 bilhões. Em um contexto de vendas maiores, mas preços mais baixos dos fertilizantes, a subsidiária latina respondeu por US$ 3,5 bilhões, ou 7,9% a menos que em 2019.

Corrine afirma que a expectativa com o programa de sinergias é alta. “Desde 2018, quando criamos o programa, pedimos ideias a nossos funcionários sobre como economizar recursos. Nós os convocamos a pensar como donos da empresa, e os resultados têm sido ótimos”, diz. Em um dos casos, relata, um funcionário tirou da gaveta um relatório de 30 páginas que tinha produzido ao longo de anos. As sugestões, apresentadas por integrantes de uma força de trabalho de 6 mil pessoas, vão de mudanças em processos químicos nas fábricas a estratégias de venda no campo.

Entre 2018 e 2019, na primeira etapa do projeto, as economias somaram US$ 330 milhões, resultado acima da previsão de US$ 275 milhões. À época, a Mosaic Fertilizantes concluía dois dos seus principais investimentos no Brasil: adequação das barragens e minas compradas da Vale e expansão das instalações de descarga de adubos no Porto de Paranaguá (PR).

Agora, com a nova etapa de ajustes, a expectativa é obter ganhos de eficiência que acelerem o avanço da empresa no Brasil. No país, um mercado estimado em 38,5 milhões de toneladas de adubos em 2020, a fatia da companhia é de cerca de 20%. Na soma de Brasil e Paraguai, a Mosaic movimentou 10,2 milhões de toneladas de adubos no ano passado.

Os reinvestimentos em suas operações nos dois países somaram US$ 185 milhões em 2020, sendo 70% em manutenção de ativos e 30% em novos projetos. Segundo Corrine, para melhorar a produtividade das fábricas e reduzir impactos ambientais, foram priorizadas ações de melhoria da eficiência operacional e aumento da capacidade produtiva.

Um dos exemplos mais emblemáticos é o projeto Truck 4.0, criado para reduzir o tempo de espera dos caminhões na porta das misturadoras da Mosaic. A iniciativa recebeu investimento de R$ 40 milhões. Nesse trabalho, que utiliza tecnologias das startups Trizy, controlada pela Cosan, e LogPyx, a empresa passou a agendar as visitas dos caminhoneiros e monitorar essa frota de veículos nos seus pátios. Após implantação inicial do projeto em Uberaba (MG), Araxá (MG), Cajati (SP) e Catalão (GO), o tempo de espera dos caminhões, tanto na carga como descarga, diminuiu 20%. A objetivo é chegar a 50%.

A Mosaic tem investido também para ampliar seu portfólio de produtos, com novos lançamentos para nutrição animal e fertilizantes de alto desempenho. No segmento de produtos premium, as vendas da companhia cresceram 30% no ano passado. “Estamos trabalhando com produtos multinutrientes e tecnologias que disponibilizam os adubos de forma gradual no solo, na hora em que a planta precisa”, explica a executiva.

Por Marina Salles — De São Paulo (Valor Econômico)

22/03/2021 05h01

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