Natal: varejo da Capital não comemora resultados

Fonte: Diário do Comércio

Aguardado com ansiedade pelo comércio, o Natal acabou ficando aquém das expectativas de boa parte dos lojistas de shopping centers de Belo Horizonte em 2017. A data, considerada pelo varejo uma excelente oportunidade de reforçar o caixa, viu-se impactada não só pelo consumo mais criterioso da população da Capital, como também pela Black Friday, que, segundo empresários, como ocorre hoje, vem influenciando negativamente o setor no mês de dezembro. Prévia da pesquisa da Associação dos Lojistas de Shopping Centers de Minas Gerais (AloShopping), que será divulgada hoje, aponta para um crescimento em torno de 3%, distante do almejado pelo segmento.

“É um crescimento moderado, sem euforia. Foi um Natal bom, mas ainda longe do ideal”, pondera o superintendente da AloShopping, Alexandre Dolabella França, ao lembrar que a falta do pagamento do 13º salário do funcionalismo estadual também interferiu nos resultados do comércio no mês.

Apesar da variação positiva, não é bem essa a realidade dos lojistas ouvidos pelo DIÁRIO DO COMÉRCIO. O proprietário da rede de revenda de artigos esportivos Arquibancada, Ewerton Starling, conta que neste ano teve uma queda de 4% nas vendas no período, levando em consideração as sete lojas do grupo em Belo Horizonte e região metropolitana e Ipatinga. O desempenho ruim, porém, não teria sido algo isolado. De acordo com o Starling, outros empresários com quem mantém contato também teriam se queixado do rendimento no Natal.

“Infelizmente isso é reflexo da recessão do nosso País, potencializada pela Black Friday. Passei em várias lojas nossas nos shoppings hoje (ontem) e todo mundo com quem conversei está com queda. Tenho um grupo de negócios no WhatsApp, com 45 empresários de Belo Horizonte, de diversos segmentos, e todos falaram que as vendas caíram”, afirma o proprietário da Arquibancada.

Segundo ele, este ano, a maior parte dos clientes aproveitou as promoções da Black Friday em novembro para antecipar as compras natalinas. A mudança no comportamento acabou puxando para baixo a margem de lucro em dezembro. O tíquete médio da rede foi de R$ 135 e os produtos mais vendidos foram camisas oficiais do Atlético e Cruzeiro.

“Esse último mês de novembro vinha sendo ruim em termos de vendas, porque as pessoas estavam reprimindo o consumo (esperando a Black Friday). Então, quando chegou o dia 24, nós lojistas ficamos preocupados e tivemos de dar descontos além do que podíamos para tentar salvar o mês”, lembra Starling.

Nas franquias da argentina Havanna em Belo Horizonte, das quais também é proprietário, o empresário observou um crescimento de 2% no Natal. Starling, porém, considera o percentual pequeno, devido à base fraca de comparação que foi 2016.

Vestuário – A Cia. do Terno, especializada em moda social masculina, registrou volume de vendas semelhante ao Natal de 2016. Apesar de não ter verificado recuo, o número frustrou as expectativas da marca mineira, que projetava para dezembro deste ano um avanço em torno de 4%. Um dos sócios do grupo, Pedro Paulo Drummond ressalta que outra marca da rede, a Les Chemises – voltada ao vestuário feminino -, até apresentou alta de 8% no comércio no período. O empresário explica, no entanto, que o peso da Cia. do Terno para os negócios do grupo é muito maior, de cerca de 80%.

“Existe uma pressão muito grande em cima de todo mundo de que o Brasil tem de ter notícias boas. A gente confia em números, e os números estão dizendo que tivemos um dezembro igual ao do ano passado, que foi fraco”, destaca Drummond, ao ressaltar o esvaziamento do Natal gerado com a Black Friday. O tíquete médio das lojas das duas marcas ficou em R$ 182. “O consumidor está um pouco mais ligado em qualidade do que antes, preferindo comprar menos, mas melhor”, completa.

A loja de moda feminina K9, presente em diversos shopping centers da Capital, apurou um comércio de produtos 4% maior em relação ao Natal passado. Mas, assim como a Cia. do Terno, a empresa esperava vendas mais aquecidas neste fim de ano. Segundo a diretora comercial da K9, Andréa Azevedo, os belo-horizontinos não deixaram de comprar, porém optaram por itens de menor valor. O tíquete médio foi em torno de R$ 200, inferior ao de 2016.

“Esperávamos mais, com certeza. Faltou governo, mercado. Houve investimento nosso em marketing, produtos. Estávamos bem focados, tínhamos uma expectativa maior, mas o mercado acabou não ajudando. As pessoas estão comprando, mas comprando produtos de menor valor agregado”, analisa.

Brinquedos – A loja de brinquedos educativos Traquitana, integrante do comércio de rua de Belo Horizonte, manteve o mesmo nível de negócios neste fim de ano.

Proprietária do estabelecimento, Ana Luísa Pires, entretanto, avaliou a estabilidade do ponto de vista positivo, considerando que 2017 foi um ano ainda de desafios para o varejo. “Foi bom diante do ano inteiro, que foi muito complicado, de muita instabilidade”, avalia a empresária.

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