Nova Serrana quer exportar 20% em 2 anos

Fonte: Diário do Comércio

O polo calçadista de Nova Serrana, no Centro-Oeste de Minas, atingiu faturamento de R$ 3,81 bilhões em 2017 e projeta crescimento de 10% em 2018. Uma das frentes para atingir o resultado é o incremento das exportações. Segundo o presidente do Sindicato Intermunicipal da Indústria do Calçado de Nova Serrana (Sindinova), Pedro Gomes da Silva, as exportações do setor representam cerca de 3% do volume total das vendas. Ele informa que ainda não há projeção de quanto esse número pode crescer neste ano, mas o desejável é que chegue a 20% em dois anos, impulsionando a produtividade das empresas.

Para conseguir reforçar o comércio com outros países, Nova Serrana vem apostando na realização e participação de feiras. Ainda neste mês, empresários da cidade vão ao Uruguai para apresentação dos produtos. Em janeiro, pela primeira vez, o Sindinova promoveu sua própria feira em São Paulo. E a 21ª edição da tradicional Fenova também já foi realizada neste ano em Nova Serrana. Os principais países compradores dos calçados do polo são Bolívia, Colômbia, Peru e Argentina.

Outra medida que vem recebendo atenção especial é a capacitação, com apoio de entidades como Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Sebrae e Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados).

Na avaliação da analista de promoção comercial da Abicalçados, Paola Pontin, Nova Serrana tem potencial para ampliar as exportações. Ela apresenta hoje aos empresários da cidade estudo estratégico sobre o mercado francês. A iniciativa faz parte de programa de apoio às exportações da Abicalçados.

As características da produção de Nova Serrana – que oferece um produto de qualidade e a preços mais baixos, o que inclusive beneficiou as empresas no cenário de crise nacional – pode ser um diferencial para as exportações. Ela explica que alguns destinos das exportações, como a Colômbia, também passam por dificuldades econômicas e buscam preços melhores, desde que mantido o padrão de qualidade do calçado brasileiro, já aguardado pelo mercado internacional.

Ela explica que, para garantir o incremento das exportações de calçados, a Abicalçados promove ações diversas. Uma delas é a prospecção em alguns países. O mais recente a ser pesquisado foi a França. Segundo ela, o diferencial preço continua valendo nesse caso, com o produto brasileiro podendo ser vendido, por exemplo, em redes de supermercados franceses que têm entre seus produtos sapatos a preços mais acessíveis. Outra estratégia é explorar o mercado do interior da França, já que em Paris a oferta de marcas internacionais é muito grande, dificultando a concorrência.

Outro diferencial de Nova Serrana pode ser a oferta de calçados com material sintético, sem uso de matéria-prima animal, visando a um nicho de consumidores. Os números são atrativos: de acordo com a Abicalçados, a França é o terceiro maior importador de calçados do mundo, sendo que, em 2017, foram importados 6,42 bilhões de euros em sapatos. No ano passado, a Abicalçados realizou evento semelhante em Nova Serrana, mas sobre a China. Nesse caso, a grande aposta são as vendas on-line.

Segundo Pedro Gomes, a produção do polo calçadista de Nova Serrana ficou em torno de 100 milhões de pares no ano passado, com uma queda de 5% em relação a 2016. Na cidade há 830 empresas de calçados, que geram em torno de 20 mil empregos. No polo calçadista, que reúne 12 cidades, o número de empresas sobe para 1.200, com 25 mil empregos.

Nacional – De acordo com a Abicalçados, as exportações brasileiras de calçados começaram o ano em queda. No primeiro bimestre, foram embarcados 20,6 milhões de pares, que geraram US$ 157,75 milhões, o que indica estabilidade em volume e queda de 3,2% em receita, no comparativo com igual período de 2017.

Entre as maiores dificuldades estão a alta carga tributária brasileira e a valorização do real frente ao dólar. O quadro pode melhorar, mas só no segundo semestre. Nos primeiros dois meses do ano, os principais destinos do calçado brasileiro foram os EUA, Argentina e França. Os principais estados exportadores são Rio Grande do Sul, Ceará e São Paulo.

Assine nossa Newsletter

Receba nossa novidades em primeira mão por email.