Paulo Brant falou sobre reforma na gestão e política na ACMinas

Ex-vice-governador de MG destacou em evento da ACMinas que gestão e política devem “apontar na mesma direção”

O ex-vice-governador do Estado de Minas Gerais, Paulo Brant, disse na terça-feira (30) que “o Estado não entrega bem os serviços e nem a estrutura necessária para as pessoas sobreviverem”. A afirmação foi feita durante o 4º encontro do Seminário Permanente da Reforma do Estado (Reforma Política em Sentido Amplo), promovido pela Associação Comercial e Empresarial de Minas – ACMinas. O tema apresentando por Brant foi a “Reforma Política por um Estado eficaz: como fazer com que gestão e política apontem na mesma direção”, que aconteceu na sede da entidade, em Belo Horizonte.

Segundo o presidente da ACMinas, José Anchieta da Silva, o objetivo com esses seminários é resumir os pleitos da comunidade empresarial sobre as reformas e levar para as autoridades. “Hoje tivemos o quarto encontro desse evento que irá até novembro. É provável que não daremos conta de terminar nesse prazo estipulado e continuaremos com ele. Sobre o Paulo Brant, é um vitorioso que veio falar sobre a eficácia nas gestões em um momento em que o estado brasileiro padece de obesidade mórbida”, alfinetou o dirigente.

Segundo Paulo Brant, o tema é muito complexo, porém, importante para uma reforma política para toda a sociedade. “A dimensão da gestão é pouco sublinhada nos debates, mas ainda assim queremos e buscamos por um Estado mais efetivo, eficiente e eficaz. O Estado está ruim, sem entregar bem os serviços e nem a estrutura necessária para a sobrevivência das pessoas. E também não tem eficiência por não conseguir atender as demandas da sociedade”, afirmou.

De acordo com Brant, a participação direta do Estado é de 40% no Produto Interno Bruto (PIB) estadual, enquanto participa de todas as esferas da vida do cidadão. “Estamos percebendo uma mudança na sociedade e o Estado que já era ruim não tem conseguido acompanhar essas transformações. Observamos a quase incapacidade em acompanhar, aliado ao fato de não ser funcional e não prover a sociedade com o que é demandado”, avaliou.

Para ele, o tamanho do Estado nem é o fator mais relevante pois, com um estado mínimo poderia ser um risco para a economia. “E uma das causas disso é que os governos estão reféns de todo o sistema político e sem nenhuma capacidade de propor ou articular transformações que representem algo na vida da população. Tem uma série de atividades que não precisariam estar nas mãos dos governos”, pontuou.

As sociedades contemporâneas estão mais completas que as de 30, 40 anos atrás, salientou Brant. “Após a criação do telefone celular e das mídias sociais temos uma sociedade mais livre. É um avanço as pessoas poderem interagir de uma forma tão rápida, tornando a sociedade mais complexa e bem informada. Agora, o que falta é harmonia, com pessoas livre e convivendo em prol da sociedade”, observou.

Reforma política

Um ponto destacado pelo político é que a economia de mercado foi uma conquista para a sociedade, assim como uma reforma política também será. “Ela (a economia de mercado) é uma conquista e consegue fazer com que a sociedade avance. Porém, ela é surda, cega e muda para os problemas enfrentados pela população. Uma sociedade evolui ou não em função das suas instituições, que são formadas por leis, Constituição, o aparato do Judiciário e o Legislativo. Mas também com a cultura, as crenças, os valores e os hábito, que continuam movendo a sociedade”, enumerou.

No Brasil, as elites culturais, educacionais, e os valores devem influenciar na mudança da sociedade, “pois quem faz a roda girar são as pessoas”, destacou Brant. “Em uma sociedade democrática, uma gestão pública nos leva para a democracia e política e não há como separar uma coisa da outra. Porém, estamos enojados com a política, o que faz com que a desconfiança da população venha atingindo níveis elevados, parte pela sucessão de erros cometidos pelos governos. E isso é muito compreensível”, disse.

Segundo ele, a eficiência deveria ser quase uma obrigação para as instituições, mas ainda assim não pode ser desvinculada da eficácia. “Temos que tentar resgatar a política nacional para, assim, conseguirmos alcançar uma excelência na gestão pública. Resgatar a capacidade dos governos depende muito das escolhas de políticos adequados. Mas o sistema político brasileiro está vivendo o pior momento da sua história”, finalizou.

Fonte: Diário do Comércio 01/05/2024

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