PBH acaba com restrição de horário para comércio

A Prefeitura de Belo Horizonte anunciou ontem nova flexibilização das medidas de restrição por conta da pandemia de Covid-19.  A partir deste sábado (21), o comércio da Capital poderá funcionar diariamente e sem restrição de horários. Além disso, foi permitido aos bares e restaurantes a transmissão de jogos, mas o funcionamento continua permitido até às 23h, o que não agradou o setor.  As novas regras serão publicadas no Diário Oficial do Município.

De acordo com a PBH, as academias poderão funcionar aos domingos e as salas de cinema terão a possibilidade de receber um público de até 60% de sua capacidade – em vez dos atuais 50%. A população ainda poderá voltar a contar com os equipamentos e os programas de esporte ofertados pela Prefeitura.

“Essa série de mudanças ocorre após o município e o Comitê de Enfrentamento à Covid-19 monitorarem o impacto das últimas medidas de flexibilização, o avanço da vacinação na Capital e o patamar favorável dos indicadores, em especial a ocupação de leitos nos hospitais. De acordo com o último Boletim Epidemiológico e Assistencial publicado em 19 de agosto, o nível de alerta geral permanece estável no amarelo, com a taxa de transmissão em 1,02, a taxa de ocupação de leitos de UTI Covid em 50,7% e de Enfermaria Covid em 38,9%”, informa o executivo municipal, em nota.

Para o presidente da Associação dos Shoppings de Belo Horizonte (Aloshopping), Alexandre Dolabella, a normalização do horário de funcionamento do comércio impulsiona as vendas do varejo. “Isso significa que os consumidores terão mais tempo para poder ir ao shopping, visitar as lojas e fazer as compras. Durante esse tempo de grandes picos da pandemia, passamos por um período de crise muito forte e as vendas ainda não estão boas”, pontua.

O gerente de marketing do Shopping Cidade, Bruno Saliba, reforça que com a normalização do funcionamento do comércio, o faturamento do varejo poderá alcançar melhoras significativas. “Isso acaba estimulando os consumidores a virem para os shoppings com mais tranquilidade. Vamos continuar mantendo a segurança sanitária adequada dos nossos clientes, com a fiscalização rigorosa a respeito do uso da máscara, álcool em gel e distanciamento para que não haja aglomerações e assim não comprometa as evoluções que estamos conquistando com o avanço da vacinação em Minas e na Capital”, pontua.

O Sindicato dos Lojistas de Belo Horizonte (Sindlojas-BH) acredita que a flexibilização é um avanço para o comércio da Capital. “Nós estávamos há dez dias pedindo à prefeitura que atendesse ao pedido de ampliação do horário do comércio. O nosso faturamento ainda está baixo e se não conseguirmos aumentar a nossa receita, não conseguiremos arcar com as nossas dívidas”, avalia o presidente Nadim Elias Donato.

O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH), Marcelo de Souza e Silva, acrescenta que o funcionamento do comércio sem restrição de horário não quer dizer que devemos relaxar com as medidas de segurança de saúde. “Agora, mais do que nunca, temos que continuar a manter os cuidados com a nossa saúde para que essa flexibilização não vire restrição novamente. Acredito que essa medida vai melhorar a situação econômica de todo o varejo”, reforça.

Bares e restaurantes
Por outro lado, a medida não foi bem recebida pelo setor de bares e restaurantes, que teve apenas o benefício de voltar a transmitir os jogos de futebol por televisores e telões, porém os estabelecimentos deverão fechar as portas impreterivelmente às 23h.

Para o presidente da Associação Nacional de Bares e Restaurantes (Abrasel-MG), Matheus Daniel, a medida permissão de transmissão de jogos esportivos de nada adianta para os bares e restaurantes que ainda estão com restrições de funcionamento. “O que faremos quando o jogo de futebol estiver quase no fim e tivermos que desligar os equipamentos e mandar nossos clientes irem embora, porque não poderemos continuar abertos por causa da lei. Isso é impossível. Do jeito que estamos trabalhando não tem mais condições de ficar. O faturamento está baixo, ainda não recuperamos do período de restrição de funcionamento e precisamos trabalhar”, reforça.

Ainda de acordo com Matheus Daniel, a Abrasel-MG entregou um ofício no início da noite de sexta-feira à Prefeitura de Belo Horizonte solicitando uma reunião com urgência para tratar do assunto. “Vamos solicitar que pelo menos adotem um prazo de 60 minutos para que assim o jogo termine e conseguimos fechar o estabelecimento com tranquilidade”, explica.

O presidente do Sindicato dos Bares, Hotéis e Restaurantes de Belo Horizonte (Sindibares), Paulo Cesar Pedroso, avalia que a medida é bastante positiva para a categoria. “Estamos avançando aos poucos com a flexibilização do comércio e serviço da Capital. A vacinação está aumentando e com isso, as pessoas começam a ter mais ânimo para sair de casa e a tendência é a de que as coisas voltem à normalidade”, enfatiza.

Transporte público ainda preocupa
Apesar da ampliação do funcionamento do comércio varejista da capital mineira, os empresários do setor questionam a retomada do transporte público noturno. De acordo com o presidente do Aloshopping, Alexandre Dolabella, com a normalização do horário de funcionamento do comércio, os funcionários podem ficar sem o transporte para voltarem para casa. “Teremos que arcar com o transporte privado para levar nossos funcionários? Desde que voltamos gradativamente a funcionar que questionamos a prefeitura que o quadro de funcionamento do transporte público da Capital não está funcionando corretamente, principalmente à noite, esperamos que isso seja resolvido”, opina.

O mesmo pensamento é do presidente da CDL/BH, Marcelo de Souza e Silva. Ele questiona que o número de coletivos na cidade tem sido abaixo do que o volume de pessoas que estão transitando pela cidade. “Na semana passada fizemos essa observação ao Comando de Policiamento da Capital (CPC), à Prefeitura e à BHTrans. Esperamos que as empresas de transporte público cumpram com o quadro de horário noturno”, esclarece.

Volta às aulas
Na segunda-feira (23) as aulas presenciais nas escolas (níveis infantil, fundamental, médio, superior e técnico) voltam normalmente. Segundo a prefeitura, a distância entre os estudantes poderá ser reduzida para um metro – em vez dos atuais dois metros –, o que permitirá a ampliação da quantidade de estudantes ao mesmo tempo em sala de aula.

A administração municipal também autorizou o retorno das aulas presenciais para o ensino superior. No caso específico dos cursos técnicos, não será mais necessário o envio de um ofício solicitando a autorização da Secretaria Municipal de Saúde.

Por Gabriela Salles / Diário do Comércio

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