PBH libera retorno de atividades não essenciais

Por: Mara Bianchetti

As atividades econômicas de Belo Horizonte voltam parcialmente à normalidade na próxima segunda-feira (1º). Comércio de rua, shoppings, bares, restaurantes, salões de beleza, academias, entre outros segmentos considerados não essenciais poderão funcionar de portas abertas de segunda a sábado, com horários preestabelecidos, algumas limitações e seguindo os protocolos sanitários como anteriormente. Aos domingos, apenas praças, clubes e a Orla da Lagoa da Pampulha estarão abertos.

O anúncio da flexibilização foi feito em coletiva de imprensa pelo prefeito Alexandre Kalil (PSD), que afirmou que o período de fechamento valeu a pena. Os estabelecimentos estavam fechados desde o último dia 11 de janeiro.

“Os índices baixaram bem, inclusive de (ocupação de) UTIs, mas estão falando em cepa nova e a gente tem que esperar para ver o que vai acontecer. Valeu a pena esse sacrifício da população. Estamos vendo o que está acontecendo no mundo inteiro e vamos manter a nossa coerência”, disse.

O prefeito explicou que a reabertura vai ocorrer com algumas variantes. As lojas de rua, por exemplo, poderão funcionar das 9h às 20h, de segunda a sábado, mas deverão fechar aos domingos. As academias também poderão funcionar sem limite de horário, mas mediante agendamento. Já bares e restaurantes também poderão funcionar de segunda a sábado, das 11h às 22h, podendo vender bebida alcoólica apenas até as 15h.

“Estamos abrindo com um velocímetro (o de ocupação das UTIs) ainda no vermelho, até porque ele nunca chegou ao verde. Mas o que a gente nota é uma circulação interna e uma baixa na taxa de internação”, comentou o prefeito, que comunicou ainda o retorno presencial nas escolas. Segundo ele, a volta às aulas poderá ocorrer em março, a depender dos índices epidemiológicos e do ritmo da vacinação na cidade.

O secretário municipal de Saúde, Jackson Machado, ressaltou que o objetivo com o fechamento do comércio foi alcançado e, por isso, foi possível reabrir a cidade. Ele detalhou que a taxa de ocupação de UTI para Covid-19 está em 74,5%, de enfermaria 56,8%, o RT, índice de transmissibilidade, está em 0,93. “A demanda por internações hospitalares por Covid também tem caído, assim como o número de transporte de pacientes pelo Samu. Essas constatações nos permitiram abrir a cidade”, justificou.

Ajuda ao comércio – Já a tão esperada ajuda aos negócios atingidos pelas medidas restritivas em meio à pandemia deverá ser anunciada no próximo dia 10 de fevereiro. A informação foi dada pelo secretário da Fazenda, João Antônio Fleury. Segundo ele, haverá a redução de preços públicos e taxas municipais, por meio de decretos ou projetos de lei. “Estamos nos reunindo para avaliar todas as taxas e preços relacionados ao comércio e vamos anunciar em breve”, garantiu.

Setor comemora decisão, mas com ressalvas

As entidades que representam o comércio comemoraram a decisão da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), embora algumas ainda salientem o não atendimento por completo do pleito do setor, como é o caso da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes de Minas Gerais (Abrasel-MG). Segundo o presidente, Matheus Daniel, a restrição na venda de bebidas alcoólicas ainda vai prejudicar grande parte dos estabelecimentos.

“Foi uma vitória parcial, já que os bares e os restaurantes foram incluídos na primeira fase da flexibilização, diferentemente do que ocorreu no ano passado. A medida vai ajudar algumas empresas que vendem almoço, mas a grande parte não vai conseguir nem pagar o salário na próxima sexta-feira (5). Ademais, 60% do faturamento dos restaurantes vem da bebida, e se não tem bebida, não vende nem os 40% de alimentação. Por isso, a medida não atende ao pleito do setor, mas é melhor que nada”, declarou.

Da mesma forma, a Associação Comercial e Empresarial de Minas (ACMinas) informou que acredita em uma visão mais ampla e em um projeto maior para o município. “A ACMinas vai apresentar em breve uma proposta mais ampla, permanente e definitiva para a capital mineira. O projeto ‘Belo Horizonte 24h’ (Fechamento nunca mais) contemplará um estudo mais aprofundado sobre os impactos e sobre as possibilidades de se trabalhar o que aprendemos nesses meses de pandemia com um projeto definitivo”, disse o presidente da entidade, José Anchieta da Silva.

Já o vice-presidente do Sindicato de Lojistas de Belo Horizonte (Sindilojas-BH), César Albuquerque, declarou que a reabertura foi um ganho para a cidade. “Este é um momento extremamente importante. Estamos tratando de vidas, mas o comércio também é vida, uma vez que a cidade vive em função desta atividade que é a que mais gera emprego”, comentou.

Para a Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH), os números apresentados em conjunto com outras 23 entidades no início da semana, reivindicando a abertura do comércio da Capital, foram decisivos para a flexibilização.

“O anúncio não foi nenhuma surpresa para nós. Mas precisamos que a Prefeitura faça investimentos em novos leitos e também busque a conversa com o governo do Estado para dar mais segurança e tranquilidade não só para o comércio de Belo Horizonte, mas para toda a população”, disse o presidente Marcelo de Souza e Silva, por meio de nota.

Da mesma forma, a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Minas Gerais (Fecomércio-MG) também comentou por nota que a flexibilização é uma resposta positiva ao movimento do grupo de entidades do qual faz parte. Disse ainda que seguirão atuando junto ao poder Executivo municipal para que os empresários consigam melhores condições para arcar com suas obrigações tributárias. (MB)

Jornal Diário do Comércio | Leia na íntegra | 30 de janeiro de 2021

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