PIB Brasil recua 0,2% no primeiro trimestre de 2019

Por Leonardo Faria Lima – Departamento Econômico ACMinas

O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro obteve recuo de 0,2% no 1º trimestre de 2019 perante o trimestre imediatamente anterior. Em valores correntes, o PIB somou R$ 1,714 trilhões. Esta é a primeira queda registrada desde o 4º trimestre de 2016 (-0,6%).

                                               

Na comparação com 1º trimestre de 2018, o PIB obteve uma pequena alta de 0,5%.

Resultado decepcionante, contudo, esperado

O mercado financeiro já esperava o desempenho aferido, especialmente, por ter piorado consecutivamente as suas expectativas para o crescimento da economia em 2019.

O resultado foi extremamente decepcionante, porém poderia ser pior. O IBGE não efetivou a revisão do resultado do PIB referente ao 4º trimestre de 2018 (variação positiva de 0,1% sobre os 3 meses imediatamente anteriores).  Assim, a economia brasileira não entrou em recessão técnica, isto é, quando ocorre involução em dois trimestres consecutivos.

Atualmente a economia está estagnada ou paralisada. O ambiente de incertezas contrai os investimentos, consequentemente reduzindo a arrecadação governamental e a geração de empregos.

Contundo, a involução do PIB poderá gerar pressão sobre o Congresso Nacional para aprovar as reformas estruturantes, em especial a reforma da previdência, e intensificar a discussão relacionada à redução da taxa Selic (promoção de um novo estímulo monetário). 

Queda dos investimentos

A taxa de investimento medida pela Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) apresentou um recuo de 1,7%, segunda queda trimestral consecutiva. Porém, é relevante explicitar que nos dois últimos trimestre de 2018 o indicador foi inflado por uma alteração contábil envolvendo as operações com plataforma de petróleo (agora contabilizadas como importação), ou seja, esta modificação melhorou o seu desempenho.

No primeiro trimestre de 2019, a taxa de investimento alcançou o patamar de 15,5% do PIB, aquém do resultado observado em 2018 (15,8%/PIB) e bem distante do patamar de 2013 (21%/PIB) – período anterior à recessão econômica. 

                                                
                                                   

O mau desempenho da indústria

A indústria obteve o pior desempenho no âmbito da ótica da oferta ou produção, recuo de 0,7%.  O pífio desempenho foi impulsionado, especialmente, pela involução da indústria extrativa (-6,3%), que reflete as consequências do rompimento da barragem da Vale em Brumadinho (Minas Gerais).

                                                 

Previsão PIB 2019

O mercado financeiro antevê um crescimento de 1,23% para atividade econômica brasileira em 2019. A previsão do mercado foi arrefecida pela 13ª semana consecutiva. As reduções promovidas foram estimuladas pelas incertezas inerentes à aprovação da reforma da Previdência no Congresso Nacional.

Já o Ministério da Economia reduziu na semana passa a sua projeção para o PIB deste ano, de 2,2% para 1,6%.

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