PIB Brasil recua 9,7% no segundo semestre, recorde da série histórica

Por: Leonardo Faria Lima – Economista ACMinas

O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro obteve uma queda de 9,7% no 2º trimestre ante os 3 primeiros semestre do ano. Este é o maior recuo observado no âmbito da série histórica do IBGE, iniciada em 1996. O maior tombo tinha sido registrado no 4º trimestre de 2008 (-3,9%).

O PIB Nominal (em valores correntes) somou a quantia de R$ 1,653 trilhão.

Com nova involução do PIB, o país entrou novamente em recessão, porque, houve dois trimestres consecutivos de perda na atividade econômica.

Na comparação com o 2º trimestre de 2019, o recuo foi mais abrupto (-11,4%).

Além disso, com o resultado observado no segundo semestre, a economia do Brasil retrocedeu para o mesmo nível do final de 2009, período marcado pelo advento da crise econômica norte-americana (subprime).

 

Revisão PIB 1º semestre de 2020

 O IBGE efetivou a revisão do PIB do 1º trimestre, alterando o resultado de uma involução de 1,5% para 2,5%.

 

Nova recessão e a COVID-19

A nova recessão econômica foi provocada por um fator exógeno, isto é, pela crise mundial de saúde. O contexto pandêmico exigiu a operacionalização de medidas de isolamento social para conter o avanço da COVID-19, fator que provocou danos severos à economia (fechamento de empresas, elevação do desemprego, dentre outros).

Os referidos estragos jogaram o país em outra crise, mesmo sem a efetiva recuperação dos prejuízos ocasionados pela recessão de 2014-2016.

Porém, algumas medidas governamentais atenuaram as perdas, tais como: o Auxílio Emergencial e o Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda, que permitiu a redução da jornada e a suspensão temporária do contrato de trabalho.

 

Destaques – PIB 2º Semestre

 (comparação com o trimestre imediatamente anterior)

  • Indústria (-12,3%), serviços (-9,7%) e agropecuária (0,4%). Os três setores representam 95% do PIB nacional, e a involução da indústria e dos serviços foi a maior observada desde 1996, início da série história do IBGE.
  • Consumo das famílias (-12,5%). Por vários anos, este indicador foi o principal catalisador do PIB.
  • Formação bruta de capital fixo ou taxa de investimento (-15,4%). O referido indicador macroeconômico demonstra os investimentos em ativos fixos que aumentam a capacidade produtiva das empresas e geram benefícios futuros. A retração evidenciada foi estimulada, especialmente, pela elevação das incertezas sobre o futuro.
  • Exportações (1,8%) e importações (-13,2%): as vendas externas do país foram alavancadas pela comercialização das commodities, petróleo e produtos alimentícios. Enquanto, a involução das importações é um produto da própria recessão econômica, ou melhor, países em crise tendem a diminuir o consumo de bens e serviços oriundos do exterior.

 

Perspectivas PIB 2020

 Para 2020, o mercado financeiro antevê uma queda de 5,28% e o governo federal de 4,7%. Já o Banco Mundial e o FMI projetam um tombo mais abrupto, 8% e 9,1% respectivamente.

Contudo, nas últimas semanas, alguns indicadores demostraram o início da retomada da atividade econômica.

O Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) anunciou, que no mês de julho, o Brasil criou 131 mil vagas formais de trabalho após quatro meses de demissões.

Estas informações sinalizam uma melhora da perspectiva para o segundo semestre de 2020, ainda mais, com a flexibilização das medidas de isolamento social.

 

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