Por que o fracasso pode ser indício de sucesso na Nova Economia

*DIEGO BARRETO

(Foto: Pixabay)

Não é novidade que é possível alcançar o sucesso depois de ter enfrentado um fracasso – em alguns casos, por diversas vezes. Há inúmeros exemplos de empreendedores que não desistiram diante de um negócio mal-sucedido e, tempos depois, viram o mesmo empreendimento (ou alguma outra ideia) alavancar.

No entanto, a pergunta de “1 milhão de dólares” talvez não seja se é viável ou não obter sucesso após “quebrar”, e sim de que forma se chega a esse sucesso, ou seja, de que maneira fracassar pode ser exatamente o impulso de que uma empresa ou empreendedor precisava para “deslanchar”? Posso dizer, sem nenhum receio, que o caminho para essa “correção de rota” passa por aderir à Nova Economia.

Foi esse o caso de Fabien Mendez, que criou e comanda a startup do ramo logístico Loggi – que hoje é a oitava startup brasileira a entrar para a lista das corporações que valem mais de 1 bilhão de dólares. Antes de criar o negócio, ele havia fundado a GoGens, um app de transporte nos moldes do Uber que fracassou e o deixou falido. Mas, na Nova Economia, o fracasso não é o ponto final e, sim, uma possibilidade de recomeço. Mendez soube reconhecer e aprender com seus erros e seguiu em frente, com persistência e resiliência, até triunfar com a Loggi.

Uma das premissas da Nova Economia é justamente que os erros não necessariamente são ruins. O mais importante é a forma com que o empreendedor lida com seus próprios deslizes, e é isso que, em grande parte, definirá seu sucesso ou fracasso no futuro. Quanto mais erros, maior o conhecimento acumulado e maior a chance de aprendizagem. É por isso que o fracasso pode ser, muitas vezes, o primeiro passo para se chegar a um negócio bem-sucedido.

O “divisor de águas” entre a Velha Economia e a Nova Economia é que, enquanto a primeira apostava no status quo e se afastava de qualquer mudança considerada “radical”, que pudesse modificar em profundidade a forma de atuar e a velha forma de fazer as coisas, a Nova Economia rechaça a aversão ao risco e aposta na inovação, no pensar “fora da caixa”, nas boas ideias e nos negócios disruptivos.

Dessa forma, os empreendedores da Nova Economia não esperam “acertar de primeira”, eles têm consciência de que o caminho para o sucesso pode envolver percalços e dar mais voltas do que o esperado de início, e, para eles, isso não é um problema. O que move essa leva de empresários com perfil empreendedor é o entusiasmo, a disposição de tentar e a paixão pela ideia. Assim, o sucesso vai surgindo em meio aos obstáculos superados, e os fracassos servem como lições do que não se deve fazer no futuro.

Existe uma expressão em inglês chamada “blind faith” (fé cega), que em grande parte resume a atitude dos empreendedores americanos e simboliza sua jornada de sucesso. O termo se refere à importância de, uma vez idealizado um negócio, não haver espaço para dúvidas, é preciso persistir até o final, mesmo enfrentando dificuldades, até  que se comprove que aquela ideia de fato funciona.

Ou seja, para ter sucesso não se pode dar ouvidos a opiniões contrárias, é preciso apostar na ideia e acreditar (e muito) que aquele negócio é viável. Esse termo se encaixa perfeitamente ao tipo de atitude que um empreendedor deve assumir na Nova Economia. Se o objetivo é fazer dinheiro a curto prazo, a Nova Economia é o caminho errado. O que motiva esses empreendedores não é ganhar milhões logo de cara, e sim a paixão pela mudança e o inconformismo com o cenário atual. O lucro e a “conta em dólares” é uma consequência, e chega no final, não no início.

Conceito de sucesso Velha Economia x Nova Economia

Na Velha Economia, o sucesso é frágil, porque baseia-se em modelos de negócio ultrapassados que não se sustentam mais nas relações de consumo atuais. Já na Nova Economia, o sucesso é perene, pois é construído com base no atendimento às necessidades do consumidor e na invenção de negócios e produtos que nunca foram vistos anteriormente, com foco na customização e na fidelização do cliente.

Além disso, como já enfatizado, na Nova Economia o fracasso e o sucesso não são completos opostos, pelo contrário, muitas vezes “caminham” de mãos dadas. Sem dúvida nenhuma, não existe uma “fórmula de sucesso”, mas é preciso nortear-se sempre pela inovação e apostar na vantagem competitiva. Se formos analisar as empresas brasileiras da Nova Economia, as que obtiveram sucesso e continuam nesse patamar têm um ponto em comum: a oferta de novos modelos de negócio, baseados em estratégias ligadas à criação ou participação em ecossistemas.

Quando possui vantagem competitiva, a empresa não precisa alterar sua estratégia o tempo todo. Isso fortalece aquela organização, pois permite investir tempo, mão de obra e energia na busca da próxima vantagem competitiva, que vai sustentá-la mais adiante, criando um ciclo virtuoso de sucesso e prosperidade nos negócios.

Como os empreendedores da Nova Economia são movidos pela ideia e pela paixão de inovar, como já explicado, muitas vezes eles utilizam o dinheiro que ganham com suas empresas (uma vez bem-sucedidas) para reinvestir no próprio ecossistema. São os chamados “serial entrepreneurs” – empreendedores que constantemente criam novos negócios e são movidos a desafios. Por não desistirem nunca e estarem sempre perseguindo um novo “unicórnio”, esses empreendedores acabam criando negócios inovadores e bem-sucedidos em série, sendo figuras fundamentais para alavancar conceitos e novas formas de atuação.

Revolução nos negócios

Com tudo o que foi dito, fica bastante claro que a Nova Economia rompe com paradigmas relacionados não apenas ao tipo e à natureza do negócio, mas também à forma como as empresas são administradas. Não há tempo para insistir em processos antiquados que não levam a resultados satisfatórios, para se dedicar a reuniões intermináveis sem nenhum propósito definido ou para se apegar a produtos e serviços que não atendem à real necessidade e desejo dos clientes.

Nesse sentido, a Nova Economia promove uma verdadeira revolução no ambiente corporativo, em todas as frentes – relação com os clientes, com os colaboradores, e com os produtos e serviços em si, com a forma que se escolhe conduzir o negócio. A transparência é um dos pilares, pois ela é o melhor caminho para a agilidade, e o desperdício de tempo é o pior inimigo para uma empresa da Nova Economia.

É preciso ter sempre em mente que o risco, a falha (e o fracasso) andam junto com a inovação, o sucesso e a transformação. Por isso, mais do que nunca, é preciso apostar e acreditar nas boas ideias, que são por si só o cerne da Nova Economia. Uma boa ideia, com o investimento e o planejamento adequados, inevitavelmente leva ao sucesso, é uma questão de tempo. E não há fracasso que possa impedir.

Leia mais: G1|Negócios| 31/05/2021

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