Preço do minério de ferro sobe com queda na produção da Vale

Por: Diário do Comércio

Daniel Vilela

A Vale S.A. divulgou sua projeção de produção de minério de ferro para 2020 e 2021. Os números indicam uma produção aquém do esperado, o que decepcionou analistas e fez com que o preço da commodity subisse. Além da queda da produção da companhia, especialistas também apontaram a crise comercial entre China e Austrália como um dos fatores que contribuíram para a alta dos preços.

Na quarta-feira, no “Vale  Day”, a companhia reduziu sua projeção de produção para 2020 para 300 milhões a 305 milhões de toneladas, de uma meta anterior de no mínimo 310 milhões de toneladas. Já a previsão de produção para 2021 foi de 315 milhões a 335 milhões de toneladas, o que gerou decepção no mercado.

Com o anúncio da Vale, a tonelada do minério de ferro chegou a US$ 142,86 na bolsa de Dalian, na China. Os preços da commodity no mercado à vista na China atingiram o nível mais alto desde janeiro de 2014, sendo cotado a US$ 133,50 a tonelada, de acordo com a consultoria SteelHome.

O analista de investimentos da Mirae Asset, Pedro Galdi, aponta os problemas que a Vale enfrentou com a interdição de barragens e minas como um dos fatores que levaram à queda na produção e na redução das expectativas. “Outro fator que pode fazer o preço subir no primeiro trimestre de 2021 é o período de chuvas. Se vier o fenômeno La Niña, vai chover muito no Pará, em Carajás, e isso provavelmente reduzirá a produção”.

O presidente do conselho empresarial de mineração e siderurgia da ACMinas, Adriano Espechit, aponta também a recente instabilidade diplomática e comercial entre China e Austrália como um fator complicador. A Austrália é, ao lado do Brasil, um dos dois maiores produtores mundiais de minério de ferro. “A China está sobretaxando uma série de produtos australianos. Isso ainda não acontece com o minério australiano, mas a China está dando preferência para o minério brasileiro”.

Alta demanda – Segundo o analista da Terra Investimentos, Régis Chinchila, a demanda por minério de ferro tem se mantido bastante alta no setor siderúrgico, especialmente no aço chinês. “O Índice Gerentes de Compras composto da China (PMI, sigla em inglês), que abrange serviços e indústria, subiu de 55,7 em outubro para 57,5 em novembro, atingindo o maior nível desde março de 2010. A leitura acima de 50 pontos indica expansão dos setores manufatureiro e de serviços da segunda maior economia do mundo, que segue em franca recuperação do golpe do novo coronavírus sobre a atividade”, explicou através de nota o especialista.

Segundo o analista Pedro Galdi, não há previsão para que o preço do minério de ferro caia no curto prazo. “Tudo isso impacta a Vale positivamente, porque ela vai vender menos minério por um preço maior”. O presidente do conselho empresarial de mineração e siderurgia da ACMinas também acredita que os preços da commodity continuarão a subir. “O ajuste do mercado vem com o tempo, mas ele acontecerá com o minério chegando a um patamar de preço ainda maior”, ponderou.

Jornal Diário do Comércio | 04 de dezembro de 2020

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