Qualidade passa de simples inspeção a gestão estratégica

Fonte: O Tempo

A qualidade é uma unanimidade. “Todas as pessoas querem trabalhar com qualidade, todos querem consumir produtos e serviços de qualidade. Não há ninguém que queira escolher um produto falho”, observou o engenheiro e professor da Fundação Dom Cabral e da PUC Minas Evandro G. Lorentz. Mas há produtos que, depois de lançados no mercado, apresentam defeitos, sendo necessário realizar o processo de chamamento, mais conhecido como recall.

No ano passado, em torno de 9,6 milhões de unidades de produtos passaram por recall no país, conforme dados do Boletim Recall, consolidado pela Secretaria Nacional do Consumidor, vinculada ao Ministério da Justiça. Apenas em 2016, foram realizadas 138 campanhas de chamamento para conserto ou troca.

Os números são os maiores registrados desde que a série histórica foi iniciada, em 2003. Os automóveis mantiveram a maior participação no total de recalls em 2016, com 76% do total de campanhas abertas no ano passado. Em dez anos, o Brasil teve um aumento de 221% nos serviços de recall.

O professor, que é também membro acadêmico da Academia Brasileira de Qualidade (ABQ), explicou que o recall pode ser fruto de erro ou até mesmo de uma estratégia. Ele observa que há casos de empresas que lançam o produto no mercado mesmo sabendo que ele não está totalmente apto – o objetivo é sair na frente, conquistar o mercado antes do concorrente.

Durante o I Seminário ABQ Minas Século XXI – Qualidade para as Organizações Mineiras, que aconteceu nessa terça-feira (24) na sede do Sebrae Minas, em Belo Horizonte, ele ressaltou que a qualidade evoluiu de uma simples inspeção de produtos para o controle de processos, a garantia da qualidade e sua gestão estratégica. Ele também ressaltou a importância da inovação, que exige mudança. “Ficar parado é piorar”, disse.

Para o consultor em gestão Vicente Falconi, qualidade é satisfação. “Não é só a ausência de defeito. Também não significa oferecer funções que o cliente sequer vai usar. É oferecer as funções que o cliente quer. E isso não é fácil”, afirmou.

O engenheiro e diretor executivo do Instituto Qualidade e Produtividade (IQPM) em Minas, Caio Márcio Becker Soares, ressaltou que a qualidade vem de uma boa gestão.

Treinamento é fundamental

É preciso saber treinar os funcionários para que a má qualidade de um produto ou serviço não se reproduza, segundo o economista Claudio de Moura Castro, que participou do painel “A Empresa como Escola”, no seminário da ABQ nessa terça-feira (24) em Belo Horizonte.

Para ele, se a organização não sabe fazer o treinamento, é preciso procurar saber quem faça. “É preciso ensinar certo”, frisa.

MINIENTREVISTA

Caio Márcio B. Soares
Engenheiro e diretor do IQPM em Minas

O que motivou a criação do seminário em Minas?

Seminário similar a esse já vem sendo realizado em São Paulo há três anos. Apesar de ser um evento nacional, tinha mais a participação dos paulistas, por causa da localização. Então, no ano passado, como ação estratégica da academia, decidimos fazer esses seminários em outras capitais, em outras cidades. Já foi feito um em São José dos Campos, mais no início do ano. Esse em Belo Horizonte é o nosso primeiro fora do Estado de São Paulo.

Qual é o objetivo do seminário?

O objetivo é conversar sobre qualidade, trocar ideias, mobilizar a sociedade, mobilizar os empresários para a necessidade de melhoria da qualidade. É o primeiro seminário em Minas Gerais e tudo indica que devemos fazer outro no ano que vem.

Além da qualidade, a inovação é essencial para os negócios?

Se ficar na mesmice do dia a dia, a tendência é você piorar e até mesmo extinguir o negócio. Você tem que estar constantemente pensando em coisas novas. É o que se chama inovação. O fato é o seguinte: se você não inovar, a sua organização, a sua empresa vai deixar de existir. A inovação é igual qualidade, é parte integrante da organização. O trabalho do empresário é estar atento, pensando em como melhorar em diversos aspectos.

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