Quiosques prometem invadir corredores de shoppings em 2024

As franquias do modelo de quiosques cresceram 13% em 2022

 

O faturamento dos quiosques varia entre R$ 1.344 e R$ 1.900 | Créditos: Beatriz Gonçalves / Centerminas

Os quiosques de shopping centers vêm apresentando forte crescimento nos últimos anos e já são apontados por alguns especialistas como uma tendência econômica, financeira e comportamental para 2024. De acordo com a Associação Brasileira de Franchising (ABF), quase 10% das franquias no Brasil são quiosques e movimentam mais de R$ 3 bilhões por ano.

A associação ainda destaca que, somente no ano passado, esse tipo de franquia cresceu 13% sobre o ano anterior. Já um levantamento da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce) aponta que os quiosques costumam faturar cerca de R$ 1 mil a mais por metro quadrado (m²) do que as lojas com metragem superior.

O estudo realizado entre julho do ano passado e julho de 2023, mostra que a média de faturamento das grandes lojas por metro quadrado variou entre R$ 824 e R$ 836, enquanto os quiosques alcançaram valores entre R$ 1.344 e R$ 1.900.

Um dos motivos para essa diferença é o fato desses estabelecimentos contarem com produtos que casam com as necessidades e desejos dos consumidores. Os corredores dos shoppings oferecem a chance de conquistar o cliente pela curiosidade, de forma bastante intuitiva e simples, diferentemente das lojas tradicionais que precisam investir mais em vitrines e decoração.

Além disso, apesar do valor do aluguel por metro quadrado do quiosque ser superior ao das demais lojas, o custo total sai mais barato, já que o espaço é menor. Outro fator que contribui para a maior lucratividade são os baixos gastos com manutenção e funcionários.

O superintendente da Associação dos Lojistas de Shopping de Minas Gerais (Aloshopping-MG), Marcelo Oliveira, ressalta que esse tipo de operação é mais vantajosa para quem está começando ou ainda não possui muito capital para investir em uma loja maior. “Nesse caso, você vai poder ter uma oportunidade de investir em um quiosque”, completa.

Ele explica que a montagem de uma loja tradicional demanda custos maiores na obra, no estoque e no pagamento da cessão de direito de uso de espaço no shopping. Por outro lado, a barreira de entrada nos quiosques é mais baixa, exigindo, basicamente, investimentos na construção e no estoque de produtos.

Oliveira também destaca que o empresário que deseja abrir um quiosque em um shopping center deve estar atento a uma série de variáveis que podem influenciar nos resultados do negócio. Dentre eles, estão o tipo de produto vendido e o tíquete médio, perfil do cliente, local onde o estabelecimento está instalado, dentre outros. “Você precisa estar no lugar certo, com o produto certo e na hora certa”, indica.

Já o diretor administrativo da Nassau Empreendimentos, empresa especializada na gestão de shopping centers, Maurício Romiti, destaca a importância dos quiosques para a experiência dos clientes nos centros comerciais.

“Ainda que as lojas âncoras sejam importantes por serem marcas consagradas e atraírem público, as lojas satélites e os quiosques chamam a atenção e vendem muito bem, representando uma fatia expressiva da venda dos shoppings”, explica.

Créditos: Beatriz Gonçalves / Centerminas

 

Lançamentos de quiosques nos shoppings de Belo Horizonte

Os malls de Belo Horizonte também vêm aumentando a oferta de quiosques, contribuindo para o crescimento do número desse tipo de estabelecimento comercial. Isso ratifica a inclinação indicada por especialistas, evidenciando que é uma tendência nos corredores dos empreendimentos, não apenas em Minas, mas em todo o País.

O Power Shopping Centerminas, localizado no bairro União, na região Nordeste da capital mineira, por exemplo, vai inaugurar, em fevereiro de 2024, uma unidade do Quiosque Real Japa. O local será administrado pelo casal de empreendedores, Bruna Stefânia e Felipe Augusto, e terá como foco a gastronomia japonesa, além de bebidas típicas e cervejas especiais. Recentemente, o shopping recebeu uma nova unidade da loja World Kids, localizada no primeiro piso, além de um quiosque da Safira Joias.

Já o Minas Shopping, também localizado no bairro União, registrou 11 novos quiosques nos últimos dois meses, dentre eles duas unidades temporárias da Lalka e Estripulia. O centro comercial também planeja mais dois lançamentos desse tipo para janeiro de 2024.

Além deles, o Shopping Cidade, no Centro de Belo Horizonte, espera abrir mais dois quiosques ainda este mês: um do Beto Churros e outro do American Day. Enquanto o ViaShopping Barreiro, na região de mesmo nome, deve receber uma nova unidade da loja A67.

Dicas para abrir um quiosque em shopping

Como todo negócio, é preciso fazer cálculos e análises estratégicas para definir o melhor investimento em um quiosque. Cada shopping tem um preço de aluguel, além de outras questões de infraestrutura, e isso varia segundo o espaço escolhido (qual corredor, próximo a quais lojas etc).

Também são necessárias estratégias diferentes para venda de produtos próprios ou de franquias. No primeiro caso, você mesmo irá definir tudo, desde o funcionamento do estoque — que é limitado, não esqueça — até o posicionamento nas prateleiras. Já as franquias, normalmente, pedem padrões que devem ser respeitados em várias instâncias.

Romiti, da Nassau Empreendimentos, lembra que, apesar de exigirem menos investimento visual, os quiosques ainda precisam se empenhar para chamar a atenção do consumidor.

“Não se pode correr o risco de virar apenas um balcão de informações, ou seja, que as pessoas vejam o quiosque, mas não os produtos. Faça proveito de todo o espaço, use decorações e treine os colaboradores para atraírem o olhar dos visitantes e convertê-lo vendas. Ainda mais importante é escolher bem o ponto dentro do shopping”, conclui.

 

Fonte: Diário do Comércio

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