Safra de grãos de Minas Gerais deverá alcançar um novo recorde

A safra de grãos 2021/22 está caminhando para um novo recorde produtivo em Minas Gerais. De acordo com o 9º Levantamento da Safra de Grãos 2021/2022, elaborado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o Estado deve colher 17,5 milhões de toneladas de grãos, superando em 14% o volume registrado na safra passada, que era o maior da série histórica.

Com o clima favorável na primeira safra, o destaque é a soja, cuja produção subiu 8,1% e atingiu 7,59 milhões de toneladas. Já na segunda safra, que está em início de colheita, a estiagem tem prejudicado a produtividade do milho e do feijão segunda safra. Mas, mesmo com a interferência, a produção ainda será maior.

O gerente de Acompanhamento de Safras da Conab, Rafael Fogaça, destacou o crescimento frente à temporada anterior. “Minas Gerais está caminhando para uma safra recorde de grãos, chegando a 17,5 milhões de toneladas. Isso é mais de 2 milhões de toneladas a mais que na safra passada, que até então tinha sido a maior. O recorde de safra vem sendo puxado pela boa produção de soja. O clima foi bastante favorável para a primeira, permitindo a boa evolução das culturas”, explicou.

Na safra 2021/22, Minas Gerais colheu 7,59 milhões de toneladas de soja, alta de 8,1%. A produtividade cresceu 3,5%, alcançando um rendimento de 3,8 toneladas por hectare. Com mercado firme, a área produtiva ficou 4,4% maior e chegou a 1,9 milhão de toneladas.

Durante a primeira safra, a produção de milho no Estado também cresceu. Foi colhido um volume de 5,05 milhões de toneladas, superando em 9% o registrado em igual etapa da safra anterior. A área em produção foi de 839 mil hectares, 2,5% maior. A produtividade cresceu 6,4%, com 6,5 toneladas colhidas por hectare.

Já a primeira safra de feijão, no Estado, caiu 10,36% e somou 200,7 mil toneladas. No período, foi registrada queda de 9,9% na produtividade, 1,3 toneladas por hectare. A área também ficou menor, -0,8%, e somou 150 mil hectares.

Segunda safra

Em relação à segunda safra no Estado, que está no início da colheita, a temporada já enfrenta uma estiagem prolongada que afeta a produtividade de alguns grãos.

“A segunda safra de milho está sendo impactada pela estiagem. Minas é um dos estados onde a estiagem está sendo mais severa. A região do Triângulo está menos afetada que as culturas de sequeiro no Noroeste. Esta última região tem muitas áreas irrigadas, o que vem ajudando a manter a produtividade. Mas, de modo geral, a produtividade está sendo afetada, tanto do milho, quanto do feijão segunda safra”, apontou Fogaça.

Apesar da redução na estimativa de produtividade do milho segunda safra, se comparado com o 8º levantamento, que previa um rendimento por hectare de 5,58 toneladas, e hoje espera 4,8 toneladas por hectare, a produção ainda será maior.

Na segunda safra, a produção deve chegar a 2,8 milhões de toneladas de milho, superando em 45,3% o volume colhido no mesmo intervalo da safra anterior, que foi drasticamente afetada pela estiagem e pelas geadas. A área em produção está 19,7% maior, totalizando 593,1 mil hectares.

Ao todo, o Estado deve colher 8,3 milhões de toneladas de milho na safra 2021/22, aumento de 19,2% frente à safra 2020/21.

Clima também afetou o feijão

Outra cultura afetada é a do feijão segunda safra. De acordo com o gerente de Acompanhamento de Safras da Conab, no caso do feijão, a produção – além da estiagem – também sofreu danos pelas temperaturas mais baixas.

“Para o feijão segunda safra, houve impacto da onda de frio na segunda quinzena de maio. Mesmo sem a formação de geadas generalizadas, só o frio intenso e a queda de temperatura já trouxe algum dano para a cultura. Então, a produtividade do feijão também reduziu”.

Assim como no milho, apesar de uma produtividade menor que a esperada no levantamento anterior, o resultado ainda será melhor que no ano passado. A produção na segunda safra está estimada em 131,7 mil toneladas de feijão, alta de 4,8%. A produtividade esperada é de 1,2 tonelada por hectare, 6% maior. A área, 103,5 mil hectares, ficou 1,1% menor.

Trigo

Dentre as culturas de inverno, o trigo é destaque positivo em Minas Gerais. Segundo a Conab, a produção mineira do cereal foi estimada em 289,5 mil toneladas, volume que supera em 68,9% as 171,4 mil toneladas colhidas na safra passada.

A previsão é de uma produtividade 19% maior, atingindo 2,7 toneladas por hectare. Com preços e demanda elevados, a área plantada cresceu 41,9% e chegou a 103,9 mil hectares.

“Em Minas Gerais, houve aumento da área semeada com trigo. Isso porque temos ambiente e cenário mercadológico propício para semeadura do cereal. Mesmo com a estiagem, trouxemos ajustes para cima na produtividade. O trigo é uma cultura que não tem grande demanda hídrica, então para a cultura o volume de chuvas está favorável e as áreas estão em bom estado de desenvolvimento”, informou o gerente de Acompanhamento de Safras da Conab, Rafael Fogaça.

Projeção para o País é de 271,3 milhões de t

Brasília – A safra de grãos brasileira 2021/2022 deve alcançar 271,3 milhões de toneladas, informou ontem a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A estimativa, que faz parte do 9º levantamento da safra divulgado pela empresa, aponta ainda um ganho de 15,8 milhões de toneladas na comparação com a safra de 2020/2021.

Segundo a Conab, esse aumento na produção é explicado por um melhor desempenho do milho, que apresentou crescimento de 32,3%, mesmo com as perdas causadas pelo comportamento climático e o baixo índice pluviométrico na Região Centro-Sul.

“O comportamento climático e o baixo índice pluviométrico, sobretudo na Região Centro-Sul, causaram perdas significativas nas culturas de milho e de soja, como já estamos anunciando há muito tempo. Inicialmente prevíamos uma produção total de uma safra de 288,6 milhões de toneladas e em função desse fator climático hoje temos uma redução, mas comparando a safra 2020/2021, tivemos um aumento de 6,2%, ou seja de 15,8 milhões de toneladas”, disse o presidente da Conab, Guilherme Ribeiro, durante a apresentação do levantamento.

De acordo com a Conab, a área plantada, na atual safra, é estimada em 73,7 milhões de hectares, crescimento de 5,7% se comparada à safra 2020/21. Os maiores incrementos são observados na soja, 4,6%, ou 1,8 milhão de hectares e, no milho, 8,6% ou 1,7 milhão de hectares.

O levantamento mostra ainda que, no final de maio, as culturas de primeira safra estavam com a colheita praticamente finalizada, as de segunda safra em fase inicial de colheita e as de terceira safra, juntamente com as culturas de inverno, em fase de semeadura.

Na avaliação de Ribeiro, o resultado final vai depender do clima nos próximos meses. “O resultado final do volume desta safra ainda depende do comportamento climático, fator preponderante para o desenvolvimento das culturas”, disse Ribeiro.

A Conab informou que, para o milho, é esperada uma produção total de 115,2 milhões de toneladas, elevação de 32,3% em comparação com a safra 2020/21. O levantamento mostra que a primeira safra já está em fase final de colheita e a segunda safra, em fase inicial. Já a terceira safra teve o plantio finalizado na segunda quinzena de abril.

Queda no arroz  e na soja

Em relação ao arroz, a produção será menor que a da safra passada. A queda estimada é de 9,9%. Com isso a safra deve ficar em 10,6 milhões de toneladas, das quais 9,8 milhões são de cultivo irrigado e 0,8 milhões com o plantio sequeiro.

“As condições climáticas de maio foram favoráveis para a conclusão da colheita na maioria dos estados, mas houve um excesso de chuvas no Nordeste, que tem prejudicado o avanço da colheita”, diz o levantamento.

A soja também terá uma queda na produção, disse a Conab. A produção estimada é 10,1% menor em relação à safra anterior e deve ficar em 124,3 milhões.

Já as safras de feijão e de algodão terão aumento em relação à safra anterior. Na de feijão, a Conab estima um aumento de 6,6% em relação à safra anterior, com a produção ficando em 3,1 milhões de toneladas.

A safra de algodão deve ter um crescimento de 19,3%, favorecida, em parte, pelas condições climáticas e pelo aumento na área plantada. A estimativa é que a safra seja de 2,82 milhões de toneladas de pluma. A colheita foi iniciada em maio e ganhará escala em junho.

Já as culturas de inverno, como aveia, canola, centeio, cevada, trigo e triticale estão em fase de plantio, mas ainda apresentam uma plantação incipiente e devem somar pouco mais de 10 milhões de toneladas, das quais 8,4 milhões de toneladas para o trigo e 1,2 milhão para a aveia. (ABr)

Fonte: Diário do Comércio

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