Setor de construção e comerciantes apostam na reabertura de BH

Por Ralph Assé*
Reportagem do Estado de Minas flagrou lojas de construção funcionando normalmente, em BH (foto: Leandro Couri/EM/D.A. Press.)

A história do abre e fecha do comércio em Belo Horizonte pode ganhar um novo capítulo nesta quarta-feira (14/04). O prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil(PSD), se reunirá com o comitê de enfrentamento à COVID-19 para decidir sobre uma possível reabertura, visto que os indicadores da doença apresentaram melhora.

Diante disso, o setor da construção civil – que antes era considerado essencial –  mantém boas expectativas para o retorno das atividades que estão paralisadas há mais de um mês, devido ao quarto fechamento da capital ocorrido no dia 6 de março. Porém, algumas lojas insistem em operar clandestinamente. A reportagem do Estado de Minas flagrou algumas.

Segundo Júlio Gomes Ferreira, presidente do Sindicato do Comércio Varejista e Atacadista de Material de Construção, Tintas, Ferragens e Maquinismos de Belo Horizonte e Região (Sindimaco), o setor enfrentou problemas mesmo diante da permissão de funcionamento nos outros decretos impostos pela prefeitura de BH e que com o fechamento atual as dificuldades aumentaram.

“Nos decretos anteriores, onde ficamos abertos e éramos considerados essenciais, houve um problema onde os fabricantes subiram os preços e em decorrência disso teve desabastecimento, incapacidade de transferir isso (material) para o cliente. Prejuízos, sempre existem. Agora com esse fechamento os prejuízos são maiores, porque estamos praticamente impedidos de trabalhar”, disse.

Para ele, o setor tem de voltar a ativa. “Nós estamos com uma expectativa muito forte de que possa abrir novamente a partir da semana que vem. Quando teve o decreto tentamos recorrer, mas houve a alegação que o momento era crítico. Não teve jeito. Esperamos por uma reabertura”.

Comerciantes aguardam reabertura

Fabrício Loyola trabalha em uma loja de materiais de construção no Bairro Santo Antônio, Região Centro-Sul de Belo Horizonte. Ele conta que aguarda a reabertura para o comércio avançar novamente.

“Muita dificuldade com o fechamento. Com a reabertura a gente tem uma perspectiva de uma melhora maior, melhorar mais ainda. Está difícil trabalhar desse jeito. Estamos somente com drive-thru e entregas a domicílio”, explica.
Com as portas abertas durante boa parte da pandemia, Fabrício disse ainda que o retorno foi positivo. “Foi muito bom. Teve um grande aumento em termos financeiros, avanço do setor mesmo. Tem que abrir de novo para melhorar de novo para nós”.
Por outro lado, Geraldo Ribeiro Chaves, empresário e um dos donos de uma rede de lojas de construção na capital mineira, afirma que “o fechamento é muito desgastante depois de um longo tempo trabalhando”.
“Em  um primeiro impacto a gente entendeu a situação, porque tem que mostrar para as pessoas que todo mundo tem que se cuidar. Mas eu acho que essa situação que a gente vive hoje é mais problemática do que a abertura”, pontua Geraldo.
O empresário crê que a reabertura e a flexibilização trazem melhores consequências do que o fechamento de todo o comércio. “Se tivesse abrindo e a gente resguardando e fazendo tudo conforme os protocolos, como a gente fazia anteriormente, não deixar entrar mais de cinco pessoas na loja, distância de 2 metros entre elas, era muito menos arriscado do que hoje”.
“Hoje você leva (o produto) na porta e as pessoas podem aglomerar, chega querendo ser atendido, fazem filas enormes. É um desgaste muito grande. As lojas precisam reabrir com todos os cuidados”, completa.

“Trabalhar só com entrega é complicado”

Dono de uma loja de elétrica e materiais de construção, Ricardo Almeida Faria enxerga um cenário caótico com as portas fechadas. “Foi um mês de muita peleja. Depois de tanto tempo aberto, trabalhar só com entrega é complicado”.
Ele espera uma decisão pensada no trabalhador. “Temos que voltar. Tomara que amanhã o prefeito pense nas pessoas que estão sem trabalhar e reabra o comércio de novo. Está difícil”.

Nesse último mês, Ricardo está dependendo do delivery para manter a loja funcionando. Para ele, o trabalho ficou muito mais árduo. “Estamos em um momento difícil, eu sei. Mas ficou pior. Não é muito comum loja de construção fazer delivery de tudo igual restaurante. Tivemos que nos adaptar e ficou pesado. Por isso eu acho que a reabertura é essencial”.

Melhora em 2020

De acordo com o Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Minas Gerais (Sinduscon-MG), o ano passado trouxe bons resultados para o ramo, ao contrário de outros setores, como aumento das vendas, pelo fato das obras não terem sido paralisadas.
Além disso, houve um crescimento nas reformas e na compra de imóveis. De janeiro a dezembro de 2020, foram vendidos 4.212 imóveis em Belo Horizonte e Nova Lima, na Região Metropolitana. Isso representa um aumento de 22,7% em comparação com o mesmo período de 2019.

Só em janeiro de 2021, foram realizadas 421 vendas. Dados do Sinduscon-MG também mostram a elevação das vendas de materiais, fazendo com que o estoque disponível para comercialização alcance níveis baixos. O setor fechou 2020 com uma alta de 0,89%.
Ademais, o setor ainda tem proporcionado postos de trabalho para a população. Em Belo Horizonte, foram 105.154 vagas com carteira assinada só em janeiro. Já em Minas Gerais, foram cerca de 25 mil novas vagas no período de janeiro a dezembro de 2020.

Leia mais: Estado de Minas | Economia| 14/04/2021

Compartilhe

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no email

Posts recentes

Siga a ACMinas

Assine nossa Newsletter

Receba nossa novidades em primeira mão por email.