Transporte de combustíveis pode parar em MG

Por Mara Bianchetti(Diário do Comércio),   em 25 de fevereiro de 2021 às 00:26

Dados do Sindtaque apontam que em Minas Gerais são aproximadamente 7 mil caminhões no transporte de combustíveis | Crédito: Alisson J. Silva/Arquivo DC

Em estado de greve desde a última terça-feira (23), transportadores de combustíveis de Minas Gerais seguem insatisfeitos com o tratamento por parte do governo do Estado e podem cruzar os braços e paralisar as atividades a qualquer momento.

Hoje já será realizada carreata com pelo menos 150 caminhões até a Cidade Administrativa Presidente Tancredo Neves, localizada no Vetor Norte da Capital, sede do Executivo estadual.

De acordo com o diretor do Sindicato das Empresas Transportadoras de Combustível e Derivados de Petróleo do Estado de Minas Gerais (Sindtaque), José Geraldo Cássio, o protesto é contra a alíquota do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS) sobre o óleo diesel em Minas.

“A carreata será o último movimento antes de nos reunirmos com o transportador. Se continuar a negativa do governo estadual não há outra alternativa. Não temos mais como trabalhar. A cada dia que passa, o transporte de combustíveis está mais inviável”, reclamou.

José Geraldo lembrou que a luta pela redução da alíquota – 15% – existe há décadas e as empresas transportadoras estão amargando prejuízos e perdendo a competitividade frente aos demais estados anos após ano. “O impacto do óleo diesel no custo do frete chega a 30%. Se antes não tínhamos margem de lucro, agora não estamos fazendo nem para pagar o custo”, completou.

Ontem (24), o governador Romeu Zema (Novo) postou em suas redes sociais ser contra aumento de alíquotas de ICMS sobre os combustíveis. “Não vou propor nem apoiar nenhuma medida nesse sentido na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG)”, disse.

O Sindtaque reúne cerca de 700 empresas transportadoras de combustíveis. Em Minas Gerais, em torno de 7 mil caminhões fazem a distribuição dos combustíveis.

O presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo no Estado de Minas Gerais (Minaspetro), Carlos Guimarães Júnior, disse que a entidade está junto com os consumidores e com os caminhoneiros contra o aumento dos tributos e que, essa semana enviou uma carta para o governador e para o secretário de Estado de Fazenda, Gustavo Barbosa, pedindo o congelamento do Preço Médio Ponderado ao Consumidor Final (PMPF) dos combustíveis revendidos em Minas Gerais.

“Pedimos que o Estado não suba os tributos nos próximos seis meses, entretanto, entendemos que esse momento delicado que o Estado e o País se encontram, devido à pandemia, com alto desemprego, também não é oportuno para uma greve dos caminhoneiros, que pode prejudicar ainda mais a população e o abastecimento de combustível e de produtos em todo o Estado de Minas Gerais”, alertou.

SEF – Já a Secretaria de Estado da Fazenda (SEF) disse, por meio de nota, que o PMPF é atualizado mensalmente levando-se em consideração os preços praticados pelos postos revendedores em todas as regiões do Estado. E que o resultado da pesquisa realizada pela Pasta é baseado nas Notas Fiscais emitidas por 4.272 postos revendedores distribuídos em 828 municípios mineiros.

“Portanto, é importante ressaltar que as mudanças no preço dos combustíveis não são em função do ICMS, mas, sim, da política de preços praticada pela Petrobras”, justificou.

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