Vamos superar mais esta crise

Por: Aguinaldo Diniz Filho – Presidente ACMinas

 

Não há dúvida quanto à extensão e a gravidade dos efeitos perversos provocados globalmente pela proliferação do coronavírus, motivo de uma crise sanitária que talvez só tenha precedente na peste negra, como ficou conhecida a peste bubônica, que dizimou, no século XIV, mais de um terço da população europeia. Mas a Europa sobreviveu e é, hoje, uma referência política, cultural, social e econômica para o mundo inteiro.

Com reflexos que afetam diretamente a saúde pública, a economia e até mesmo o exercício da atividade política, diante da interrupção das atividades no Congresso Nacional, o Covid-19, já completados quatro meses do seu surgimento na China, vem cada vez mais submetendo empresas e cidadãos do mundo inteiro a severas limitações, como o indispensável mas ainda insuficientemente praticado isolamento social.

De acordo com pesquisas recentes publicadas por institutos especializados, Minas Gerais, o segundo estado mais populoso da Federação, tem sido apontado como um exemplo quanto à eficácia do isolamento social e de outras medidas de restrição, que têm um reflexo direto na ocupação de leitos e na redução do número de mortes.

E isto se deve, especialmente, à rápida percepção dos problemas pelo governador  Romeu Zema e seus auxiliares e, também, à correspondente  efetividade das  decisões. Esta agilidade, acompanhada pela já habitual austeridade do governador tem sido, certamente, um fator crucial para a efetividade das medidas. E o fez, como é de seu costume, sem alarde. Alarde nunca curou doenças.

Na verdade, o governador mineiro, juntamente com sua equipe, já vinha monitorando dia a dia a evolução dos casos de contágio desde as primeiras manifestações, o que possibilitou a antecipação de providências. A primeira, crucial, foi o reconhecimento oficial e imediato da gravidade da situação, antes mesmo que esta fosse considerada como pandêmica pela Organização Mundial da Saúde.

Logo em seguida, criou o Comitê Extraordinário Covid-19, encarregado de direcionar as estratégias para ampliar as ações de prevenção e combate ao coronavírus e, por meio do Centro de Operações de Emergência em Saúde, monitorar a situação epidemiológica 24 horas por dia. Além de tudo isso, estabeleceu como cânone a transparência: as decisões, ações e providências do governo estadual são relatadas praticamente todo dia em comunicados oficiais.

Com estas medidas, o Estado se mantém como o terceiro em menor número de mortes registradas pela doença. Este resultado, contudo, leva em conta valores absolutos. Se os relativizássemos – por exemplo, adotando um critério de incidência proporcional, cotejando número de casos versus população – Minas ficaria em primeiro lugar no ranking da prevenção, evitando o caos no nosso heroico Sistema de Saúde.

Apesar do tom perceptivelmente otimista deste artigo quanto à efetividade das ações anti coronavírus, não há nele qualquer insinuação de que as atitudes específicas para a prevenção da doença e sua propagação, amplamente divulgadas e agora fiscalizadas – como o uso obrigatório de máscaras protetoras – devam ser apenas relativas. Não o são. Estas atitudes devem, sim, permanecer como um hábito, uma etiqueta, uma regra de educação. Isto nos tornaria, daqui para frente, muito melhores do que já somos.

Mas, primeiro, vamos superar mais esta crise. Juntos haveremos de vencer o vírus e vamos retomar a nossa economia.

 

Jornal Diário do Comércio | 26 de maio de 2020 

Compartilhe

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no email

Posts recentes

Siga a ACMinas

Assine nossa Newsletter

Receba nossa novidades em primeira mão por email.