Vetor Norte se une por aeroporto de Confins

Fonte: Diário do Comércio

A mobilização pelo Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, em Confins, foi reforçada. Hoje, um grupo de prefeitos de 13 cidades do chamado Vetor Norte, na região metropolitana da Capital, irá a Brasília buscar apoio de deputados federais da bancada mineira e de senadores para derrubar portaria do Ministério dos Transportes, Portos e Aviação Civil que liberou o retorno de voos de grande porte ao Aeroporto Carlos Drummond de Andrade, na Pampulha, em Belo Horizonte.

Além disso, a Associação dos Desenvolvedores do Vetor Norte (AV Norte) entrará com ação civil pública pedindo a derrubada da portaria. Por fim, a BH Airport, concessionária que administra o aeroporto de Confins, anunciou a criação do Decole, Minas!, plataforma on-line que concentrará informações e ações a favor do terminal na região metropolitana. Os anúncios foram feitos ontem, em reunião promovida pela AV Norte no Hotel Ouro Minas, na Capital.

Prefeito de Matozinhos, Antônio Divino (PMDB) é um dos que estará hoje em Brasília. Ele informou ontem que o objetivo do grupo é que a demanda chegue ao presidente Michel Temer. Para isso, os prefeitos pretendem se reunir com lideranças de Minas e buscar ainda o apoio do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM). O grupo levará documento com o pedido da derrubada da portaria contendo assinatura de prefeitos, presidentes de câmaras municipais, empresários, entidades representativas de classes, entre outros.

O prefeito de Pedro Leopoldo, Cristiano Marião (PSD), ressalta que a volta dos grandes voos ao aeroporto da Pampulha enfraquece o aeroporto de Confins que, segundo ele, é hoje eixo de desenvolvimento da região. “Poderíamos, nesse momento, estar pensando em melhora no acesso de Belo Horizonte a Confins”, disse. Para o prefeito de Lagoa Santa, Rogério Avelar (PPS), com a medida do Ministério dos Transportes, Confins perde em competitividade em relação a outros terminais aeroportuários, levando a uma ruptura de crescimento.

“É necessário que haja o entendimento do que está acontecendo. O retorno dos grandes voos ao aeroporto da Pampulha não trará prejuízo só para as cidades da região, mas para todo o Estado”, disse o diretor-executivo da AV Norte, Astrid Dias.

De acordo com o presidente da BH Airport, Adriano Pinho, o principal problema causado pela retomada dos grandes voos no aeroporto da Pampulha é a perda da conectividade em Confins, levando à redução de rotas. “É a troca de uma conveniência de um voo na Pampulha em detrimento de visão de desenvolvimento sustentável de longo prazo”, disse.
Ele esteve presente à reunião e apresentou dados sobre a importância do terminal.

Segundo ele, o aeroporto gera cerca de 7.500 empregos diretos e indiretos. Desde a concessão, em 2013, foram pagos R$ 22 milhões em ISS a municípios da região. Segundo Pinho, Confins fechará 2017 com o movimento de 10,6 milhões de passageiros. Há capacidade para dobrar esse número.

Ele também apontou que no início do próximo mês será realizada audiência pública sobre a construção da segunda pista no aeroporto de Confins. Pinho comentou que há um desencontro entre as ações: enquanto Confins planeja a expansão, o governo federal libera voos de grande porte na Pampulha.

Representantes de associações de moradores da Pampulha também participaram da reunião ontem e ressaltaram a falta de estrutura oferecida pelo aeródromo, como falta de estacionamento. A presidente da Associação Comunitária do Planalto e Adjacências, Magali Ferraz, ressaltou que a ampliação dos voos do aeroporto da Pampulha levará à região, entre outros prejuízos, intensa poluição sonora.

Ação civil – Advogado da AV Norte, Vinícius Cavalcante informou que uma ação civil pública será impetrada na semana que vem, junto à Justiça Federal, pedindo a suspensão da portaria pelo menos até que seja apresentado estudo técnico apontando o motivo da volta dos voos de grande porte ao aeroporto da Pampulha.

A portaria que liberou os grandes voos no aeroporto da Pampulha foi publicada em outubro, tendo como justificativa a sustentabilidade econômica e financeira da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero). Durante a reunião de ontem foi citado o fato de a portaria ter sido publicada no mesmo dia em que a Câmara dos Deputados analisou denúncia contra o presidente Michel Temer. À época, o deputado federal Fábio Ramalho ponderou que há demanda suficiente para manter as grandes operações no aeródromo da Capital e no aeroporto em Confins.

A operação de voos a partir do Pampulha depende agora apenas da aprovação da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), a partir da demanda das companhias aéreas. Ontem, a Anac informou que ainda não foi feita nenhuma liberação.

ENTENDA

24/10 – Tendo como justificativa a sustentabilidade econômica e financeira da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), o Ministério dos Transportes, Portos e Aviação Civil revogou a portaria que impedia o retorno dos grandes voos para o Aeroporto Carlos Drummond de Andrade (conhecido como aeroporto da Pampulha), em Belo Horizonte. Segundo a assessoria de imprensa do órgão, a Infraero vem passando por reestruturação devido ao impacto das concessões de aeroportos, o que motivou a mudança.

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