Volta de benefício pode salvar 1º semestre

O retorno do auxílio emergencial, medida do governo federal para pessoas de baixa ou nenhuma renda, tem sido bem visto por especialistas consultados pelo DIÁRIO DO COMÉRCIO. Já se menciona, inclusive, a possibilidade de o montante ajudar a salvar a economia neste primeiro semestre, muito atingido pelos impactos da pandemia da Covid-19.

No entanto, existe também uma preocupação em meio a todos os benefícios que a medida pode gerar relacionada à questão fiscal do País.

Coordenador do Centro de Estudos em Microfinanças e Inclusão Financeira da Fundação Getulio Vargas (FGV), Lauro Gonzalez ressalta que o cenário atual ainda é de muitas incertezas no que diz respeito à evolução da pandemia.

O coordenador pontua que as coisas só devem voltar ao normal quando o número de vacinados for suficientemente alto. Diante desse quadro, o retorno do auxílio emergencial é algo importante, diz ele.

“O auxílio emergencial injetou uma quantia importante na economia, e ele não fica restrito ao bolso de quem o recebe; circula. É preciso levar em consideração que o auxílio fez com que o Produto Interno Bruto (PIB) caísse menos”, afirma. “Existe um efeito multiplicador que acaba contribuindo para a manutenção dos empregos, do consumo e para a preservação do PIB”, salienta.

Presidente da Associação Comercial e Empresarial de Minas (ACMinas), José Anchieta também concorda que o auxílio emergencial é relevante neste momento.
“A pandemia não acabou e não vai acabar nos próximos meses. A economia, o dia a dia das pessoas, ainda vai continuar com um alto grau de interrogação. A economia não vai bem, com tantas restrições, com tantos ‘nãos’ que estamos enfrentando. Vivemos hoje o que se vivia há um ano, quando a pandemia chegou: falta de emprego, falta de salário, falta de capital de giro para as empresas”, diz ele. “O auxílio emergencial é indispensável”, avalia.

No entanto, Anchieta ressalta que só o auxílio emergencial não é o suficiente, uma vez que atualmente, diz ele, vive-se a terceira guerra mundial, com um único inimigo: a Covid-19. Por isso, avalia, é importante também medidas governamentais relacionadas à capital de giro e a questões tributárias, por exemplo.

Responsabilidade fiscal – Economista da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH), Ana Paula Bastos também avalia que o auxílio emergencial é importante para ajudar a salvar a economia neste primeiro semestre.

“Muita gente ficou desempregada, sem renda, e o auxílio ajudou a ter poder de compra, mesmo que de bens de primeira necessidade. Ainda estamos em uma pandemia, o ambiente econômico ainda é adverso, há a pressão da inflação, a taxa de desemprego está elevada”, diz ela.

Entretanto, salienta a economista, deve haver também responsabilidade fiscal e comprometimento para aumentar a nota do Brasil, atraindo investimentos e gerando emprego e renda no País.

Professor do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec BH), Felipe Leroy também destaca a questão fiscal. “Tem um problema nisso tudo que é o dinheiro. O governo está em uma situação delicada do ponto de vista fiscal”, diz ele.

Entretanto, Leroy salienta que neste momento o auxílio emergencial é mesmo necessário, ainda mais quando se está tentando reagir a uma crise iniciada em 2015 e que foi agravada com a pandemia da Covid-19.

“Com o auxílio emergencial e com a vacinação, o cenário fica mais otimista”, afirma ele. “A gente espera que o governo consiga, com o crescimento econômico, retomar o desenvolvimento e a arrecadação”.

Fonte: Diário do Comérci

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