Zema confirma onda roxa em Minas com toque de recolher e comércio fechado

‘Começamos a assistir cenas de horror, pessoas clamando por atendimento e não temos vagas nas unidades de saúde’, disse o governador

Zema confirma onda roxa em Minas Gerais por 15 dias após alta de casos de Covid Foto: Ivanildo Lucio/Reprodução

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), confirmou, em entrevista coletiva nesta terça-feira (14) que vai impor ao Estado a onda roxa, mais restritiva do Minas Consciente, durante 15 dias, diante do crescimento de casos do novo coronavírus.

Só poderão funcionar os serviços essenciais e há toque de recolher entre 20h às 5h, além da implantação de barreiras sanitárias. Quem circular pelas ruas está sujeito a fiscalização das forças de segurança e precisa justificar o porquê de estar fora de casa. Sequer encontros de pessoas da mesma família, mas que vivem em casas diferentes, são permitidos.

“Com o advento da segunda cepa, tivemos um grande aumento no número de casos e óbitos. Essa situação não é exclusividade de Minas ou do Brasil, mas ocorre em vários países do mundo. Chegamos num ponto em que o nosso sistema de saúde entrou em colapso, mais pessoas procuram os nossos hospitais do que nós temos capacidade de atendimento”, declarou o governador de Minas Gerais. “Começamos a assistir cenas de horror, pessoas clamando por atendimento e não temos vagas nas unidades de saúde. É isso que queremos em Minas? Ver as pessoas morrendo na rua? Tenho certeza que essa não é a opinião do povo mineiro”, completou

“Não temos outra alternativa a não ser eliminarmos, colocarmos um teto no número de casos, e as medidas conhecidas até hoje são a vacinação, que está em passos lentos, e o isolamento social. Estamos sendo obrigados a optar por continuarmos vivendo como se nada tivesse acontecendo ou termos o isolamento para salvarmos muitas vidas, e eu sou favorável a salvar vidas”, disse.

Zema reforçou que o Estado dobrou a quantidade de leitos de UTI e de enfermaria e que ainda há margem para  ampliação estrutural. O funcionamento desses eventuais leitos, porém, depende da contratação de mais profissionais de saúde, o que já não é possível neste momento devido à exaustão desses trabalhadores, segundo Zema, e a falta de profissionais no mercado de trabalho.

Até então, cinco das 14 regiões do Estado já estavam na onda roxa. Mesmo nelas, a taxa de distanciamento social não chega a 45%, segundo o painel de monitoramento da SES-MG. A média do isolamento em Minas é de quase 39% atualmente, a mais baixa pelo menos desde julho de 2020.

Em sua primeira coletiva de imprensa como secretário de Estado de Saúde, o médico Fábio Bacheretti reforçou que pessoas com sintomas gripais não devem circular neste momento. “É importante nós pedirmos para que quem tiver sintomas não circule. Não vamos achar que o nariz escorrendo é uma sinusite. Não vamos achar que a dor de cabeça é uma enxaqueca. Está circulando uma nova cepa. Esse vírus parece um resfriado comum. Depois, vira uma gripe forte. Depois, uma pneumonia. E todos sabem o desfecho”, disse.

Por: GABRIEL RODRIGUES(O Tempo)

16/03/21

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