Pandemia: Trabalho remoto e a exaustão extrema

Elaborado pela Assessora Jurídica: Marli Soares Souto

 

Pesquisas apontam que a eficiência e, consequentemente, a produtividade no trabalho é a grande vantagem do trabalho remoto, especialmente, para aqueles que possuem local e equipamentos adequados, além de disciplina. Mas, é necessário ficar atento ao excesso de produtividade, pois a vantagem pode se tornar desvantagem para a saúde física e mental dos empregados envolvidos, que, via de consequência, podem desenvolver a síndrome de Burnout.

O Ministério da Saúde descreve o transtorno como sendo: “Síndrome de Burnout ou Síndrome do Esgotamento Profissional é um distúrbio emocional com sintomas de exaustão extrema, estresse e esgotamento físico. Esse quadro é resultante de situações de trabalho desgastante, que demandam muita competitividade ou responsabilidade. A principal causa da doença é justamente o excesso de trabalho”. 

O livro “Remote – Office not required” (em tradução livre: “Remoto: Escritório não obrigatório”), escrito por Jason Fried e David Heinemeier Hansson, é a principal publicação sobre o trabalho à distância.

Os autores do livro acima mencionado, acreditam que o trabalho remoto é mais que uma alternativa, é um “caminho” a ser seguido, entretanto, alertam que: “O fato é que é fácil transformar o trabalho em seu hobby favorito. (…) E se o trabalho consome muito tempo, o trabalhador está mais próximo do burnout. Isso é verdade mesmo se a pessoa amar o que faz”. (sem grifos originais)

Os principais sintomas da síndrome, de acordo com o Ministério da Saúde, estão relacionadas ao cansaço excessivo, físico e mental, dor de cabeça frequente, alterações no apetite, insônia, dificuldades de concentração, sentimentos de derrota e incompetência, negatividade constante, fadiga, pressão alta, entre outras e, podem levar ao afastamento do trabalho.

O Ministério da Saúde recomenda aos trabalhadores as principais formas de prevenir a Síndrome de Burnout: a) defina pequenos objetivos na vida profissional e pessoal; b) participe de atividades de lazer com amigos e familiares; c) faça atividades que “fujam” à rotina diária, como passear, comer em restaurante ou ir ao cinema; d) evite o contato com pessoas “negativas”, especialmente aquelas que reclamam do trabalho ou dos outros; e) converse com alguém de confiança sobre o que se está sentindo; f) Faça atividades físicas regulares, como academia, caminhada, corrida, bicicleta, remo ou natação; g) evite consumo de bebidas alcoólicas, tabaco ou outras drogas, porque só vai piorar a confusão mental; h) não se automedique nem tome remédios sem prescrição médica; i) descanse adequadamente, com pelo menos 8h diárias de sono.

Importante destacar, que caso o empregado afastado pelo transtorno em comento, comprove o nexo causal entre a doença e a atividade desenvolvida, o C.TST, numa eventual ação trabalhista, poderá considerar a doença como acidente do trabalho, concedendo ao mesmo o auxílio doença acidentário, que, dependendo da gravidade do caso, poderá ser por mais de 15(quinze) dias e, neste caso, após seu retorno a trabalho, o empregado terá direito à estabilidade provisória de 12(doze) meses.

Necessário salientar, que a síndrome em comento não é uma particularidade do home office, mas a questão de alerta quanto ao trabalho remoto é o aumento exorbitante desta modalidade de trabalho, nesta época de pandemia e crise econômica, sendo que: quando trabalham em casa, muitas pessoas perdem o controle sobre sua rotina de trabalho, vão além do que deveriam e sofrem com os sintomas de Burnout, como apontado no livro mencionado anteriormente. (grifos acrescentados)

Desta forma, como as empresas têm o compromisso de garantir que todos os seus empregados consigam executar suas tarefas de maneira saudável, deverão estabelecer e fiscalizar limites para o trabalho dos mesmos, no sentido de evitar o desencadeamento de estresse por excesso de trabalho e pressão, e, assim, evitar, também, desfalque em seu quadro funcional e eventuais ações trabalhistas.